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Buenos Aires para viajantes, não turistas!

Este “post” tem por objetivo mostrar uma parte de Buenos Aires um pouco diferente do já tradicional e recorrente conjunto de artigos sobre a capital argentina. Como vou para a cidade a trabalho com regularidade, uso muito os espaços descritos aqui com frequência, que são um pouco fora das referências costumeiras.

Começaria pelo hotel. Sempre fico em um hotel de um amigo, o Santiago Calvo. O Hotel Pasaje Solar- Balcarce, 1024. Tel: +54 11 4361-1549.

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Trata-se de uma antiga “casona” do século XIX, que originalmente era uma hospedaria de imigrantes que chegavam pelo porto e se alojavam nos arredores, nos bairros que podiam servir de primeiro abrigo. Após três grandes reformas, a arquitetura original está mantida, e, hoje, além de um hotel, tem um restaurante bem legal, com uma carta de vinhos que dou uns palpites e um pequeno armazém que você pode comprar produtos argentinos, como vinhos, gin e outros. Lugar ideal para quem quer ficar bem, sem luxo, mas como se estivesse em casa.

Muito perto do hotel, a duas quadras, tem o mercado de San Telmo. O prédio erguido para servir de provedoria para esses imigrantes era um local de barracas de frutas, verduras, carne e barracas de venda de utensílios e roupas. Aos poucos, foi mudando e transformando-se em lugares de venda de antiguidades, à medida que o bairro se reconfigurava. Nos últimos 10 anos, ele se tornou o que é o nosso “mercadão” em são Paulo, um lugar para comer e beber, claro que em bem menor escala. Hoje o lugar é muito turístico, mas vale a dica, porque vou lá para comer em uma barraca que tem uma empanada deliciosa! No local há também outros bares e restaurantes bem legais.

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Voltando a lugares que chamei de “lugares de viajantes”, deixo aqui a dica de uma livraria bem interessante. O Ateneo Gran Splendid, Avenida santa Fé, 1860. É a maior livraria de Buenos Aires, instalada em um prédio histórico lindíssimo. Concebido para ser um teatro tradicional, fundado em maio de 1919, para então o Sr. Max Glücksmann, o lugar também foi sede de uma rádio e serviu de estúdio para a gravadora do Sr. Max, a Nacional Odeon. Lá passaram todos os grandes artistas da Argentina.

No final dos anos 20, foi transformado em cinema e após muitos anos, virou livraria nos anos 80. O prédio foi mantido em sua concepção original, os afrescos e os conceitos preservados. Além de comprar livros, revistas e cd`s , você pode pegar uma obra e folha-la em um dos balcões que eram usados para se assistir os espetáculos. Claro que como livraria, não é a maior e mais “eficiente”. Em São Paulo, encontramos livrarias mais “modernas” com mais títulos, mas essa não é a questão.

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Hora de jantar! Vou dar aqui uma dica para quem quer comer algo de um chamado “Bodegon”, uma cantina para nós, mas de comida argentina e de origem italiana, onde você será atendido por um grupo de garçons mais velhos que provavelmente estão ali há 30 ou 40 anos e comerá porções de carne fartas e bem feitas. Mesas antigas, copos fora do padrão, mas a qualidade e o preço justos. Um lugar que não vi nenhum turista desde que fui lá. Sobre o serviço, esqueça! Estamos falando de um lugar de locais, antigo e não um lugar em Puerto Madero, para arrancarem seu dinheiro e você ver e ser visto. Se quer um lugar assim, já deve ter uma porção de dicas. O lugar chama-se Parrilla Peña, Rodríguez Peña 682, centro. Vá conhecer, e desfrute deste lugar típico dos portenhos tradicionais.


Embaixador Birdymee, sociólogo, sommelier e proprietário da Bendito Vinho.

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